MARE integra estudos científicos para a criação da Área Marinha Protegida de Interesse Comunitário Cascais–Mafra–Sintra

Foi assinado ontem, dia 4 de março, o protocolo que dá início aos estudos científicos que irão apoiar a proposta de criação da Área Marinha Protegida de Interesse Comunitário (AMPIC) Cascais–Mafra–Sintra. O MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente integra as equipas científicas responsáveis por estes trabalhos, contribuindo para a caracterização ecológica desta região costeira.

A sessão de formalização decorreu na Ericeira, no concelho de Mafra, e reuniu representantes do Governo, das autarquias de Cascais, Mafra e Sintra, da Fundação Oceano Azul e das instituições científicas envolvidas no projeto.

A futura área protegida conta com o financiamento do Fundo Ambiental, que assegura os recursos necessários à realização dos estudos científicos que irão sustentar a proposta de criação da área marinha protegida.

 

Participação do MARE

O MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente participa nos trabalhos científicos através de equipas de várias Unidades Regionais de Investigação (URI) do centro, envolvendo investigadores com diferentes especializações em ecologia marinha e gestão costeira.

Para Joana Robalo, vice-diretora do MARE, a participação do centro reflete a experiência acumulada pelas suas equipas em investigação sobre ecossistemas costeiros.

“A participação do MARE neste projeto é um resultado natural, porque várias equipas do centro já trabalham nestas áreas e no terreno, realizando o mesmo tipo de trabalhos que vão agora ser desenvolvidos.”

Também Bernardo Duarte, coordenador do MARE-ULisboa, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, destaca a importância desta colaboração com os municípios da região.

“Este projeto é muito importante para o MARE-ULisboa porque reforça a colaboração com os municípios da área metropolitana onde estamos inseridos e aumenta a visibilidade do nosso trabalho na conservação e monitorização do meio marinho.”

Para José Carlos Ferreira, em representação da coordenação do MARE-NOVA, na NOVA FCT, a iniciativa constitui uma oportunidade relevante para a investigação científica.

“A criação de uma Área Marinha Protegida de Iniciativa Comunitária envolvendo os municípios de Cascais, Mafra e Sintra constitui uma oportunidade científica relevante para o MARE-NOVA, na medida em que se trata de um projeto transversal que integra diversas dimensões de investigação nas áreas das ciências marinhas, ecologia costeira, governança ambiental e planeamento do território.”

 

As equipas científicas e o trabalho de campo

Os estudos científicos serão desenvolvidos ao longo de 2026 por equipas multidisciplinares que irão caracterizar diferentes componentes dos ecossistemas marinhos ao longo da costa dos três municípios.

Entre os investigadores do MARE-ULisboa envolvidos nas campanhas científicas encontram-se Bernardo Quintella, Ana Filipa Silva e Nuno Castro, que participam na recolha de dados no terreno e na caracterização da biodiversidade marinha.

Segundo Bernardo Quintella, a diversidade de metodologias necessárias para caracterizar os ecossistemas desta região implica a colaboração de várias equipas científicas.

“O trabalho envolve metodologias muito diferentes, desde mergulho científico até sistemas de vídeo subaquático e levantamento batimétrico. Seria impossível, em tão pouco tempo, uma única equipa realizar todo este trabalho.”

O investigador sublinha ainda que os trabalhos agora iniciados dão continuidade a investigação científica já realizada nesta região costeira.

“Este projeto vem complementar uma campanha científica realizada anteriormente nesta zona e permitirá aprofundar o conhecimento sobre a biodiversidade e os habitats marinhos desta costa.”

Também o MARE-NOVA participa nos estudos científicos através de vários investigadores, entre os quais Gonçalo Silva, responsável por uma das componentes de caracterização das comunidades de peixes e habitats marinhos.

“Na componente das câmaras iscadas conseguimos colocar câmaras por toda a área de distribuição dos três municípios, até aos 100 metros de profundidade, e caracterizar não só os habitats mas também as comunidades de peixes e de macrofauna.”

Segundo o investigador, os trabalhos de campo serão preparados nos próximos meses, com campanhas planeadas para períodos com melhores condições no mar.

“Vamos começar a preparar a campanha, que deverá decorrer sobretudo durante o verão, quando o estado do mar é mais favorável para a realização deste tipo de trabalhos.”

O projeto envolve também equipas do MARE na Universidade de Évora, incluindo David Jacinto, que participa nos trabalhos relacionados com a caracterização dos recursos marinhos da zona costeira.

“Este trabalho que vamos fazer em consórcio entre a Universidade de Évora, a MARDIVE e investigadores do MARE vem no seguimento de trabalhos anteriores e da relação profissional que já existe há longa data entre estas equipas.”

No âmbito desta componente, a equipa irá também contribuir para o estudo de espécies relevantes para os ecossistemas costeiros.

“A Universidade de Évora estará mais ligada ao mapeamento de recursos marinhos da zona intertidal, nomeadamente o percebe, o mexilhão e as lapas, mas também outras espécies formadoras de recifes.”

A associação MARDIVE coordena uma das componentes científicas do projeto, através de uma equipa que integra Miguel Pais, André Lima, Carolina Miranda e Mariana Coxey.

Segundo Miguel Pais, os dados científicos já recolhidos nesta região poderão contribuir diretamente para apoiar decisões de conservação.

“Temos um conjunto muito grande de dados nesta zona e podemos colocá-los ao serviço da tomada de decisão e da conservação desta área.”

Para Bernardo Quintella, o objetivo central destes trabalhos científicos é apoiar a definição da futura área protegida com base em conhecimento sólido.

“O objetivo destes trabalhos é identificar áreas com espécies ou habitats de maior interesse para conservação e produzir a informação científica necessária para apoiar o ordenamento da área marinha protegida.”

 

O conhecimento científico como base para a criação da área marinha protegida

Os estudos agora iniciados irão aprofundar o conhecimento científico sobre os ecossistemas marinhos ao longo da costa de Cascais, Mafra e Sintra, contribuindo para identificar habitats e espécies de elevado valor ecológico nesta região.

Este trabalho dá também continuidade à investigação científica iniciada em 2022, durante a expedição científica Oceano Azul Cascais | Mafra | Sintra realizada ao longo desta faixa costeira.

Durante cerca de dez dias, várias equipas de investigação trabalharam a bordo do navio Santa Maria Manuela, recolhendo os primeiros dados científicos sobre a biodiversidade marinha e os habitats presentes nesta região.

A informação recolhida nessa campanha constituiu a base inicial de conhecimento sobre os ecossistemas desta costa e permitiu identificar áreas de particular interesse científico, que serão agora estudadas com maior detalhe no âmbito dos trabalhos em curso.

Paralelamente à caracterização ecológica, o projeto prevê também o desenvolvimento de estudos socioeconómicos e a realização de um processo participativo com as comunidades locais, envolvendo diferentes atores ligados ao mar e às atividades costeiras.

Este processo participativo constitui um elemento central da iniciativa, permitindo integrar o conhecimento científico produzido pelas equipas de investigação com o conhecimento local e as necessidades das comunidades que dependem destes ecossistemas.

No conjunto, estes trabalhos irão contribuir para a elaboração de uma proposta de área marinha protegida que combine conservação da biodiversidade, produção de conhecimento científico e gestão sustentável dos recursos marinhos.

No contexto do objetivo internacional 30x30, que prevê a proteção de pelo menos 30% do oceano até 2030, o conhecimento científico produzido por centros de investigação como o MARE é fundamental para apoiar a identificação e gestão de áreas marinhas de elevado valor ecológico.

Durante a sessão de assinatura do protocolo, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, sublinhou precisamente o papel da ciência neste processo.

“A proteção do oceano exige conhecimento científico sólido. Só com ciência conseguimos identificar as áreas que devem ser protegidas e garantir uma gestão sustentável dos nossos ecossistemas marinhos.”

 

Texto e imagem: Vera Sequeira
Suporte de edição: ferramentas de IA

     

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