Os parques eólicos offshore podem coexistir com a biodiversidade marinha?

De acordo com o recente relatório da Ocean Winds, desenvolvido com base em campanhas de monitorização ambiental, com a contribuição do MARE, a resposta parece ser “sim”.

A Ocean Winds é a empresa responsável pelo parque eólico offshore WindFloat Atlantic, instalado ao largo de Viana do Castelo, pioneiro por assentar em plataformas flutuantes. A instalação, composta por três turbinas eólicas offshore, está em operação desde 2020, a cerca de 20km da costa de Viana do Castelo.

O relatório "Coexistência entre a energia eólica offshore flutuante e a biodiversidade: um relatório baseado em dados do WindFloat Atlantic" tem por base campanhas de monitorização ambiental focadas nas componentes biológicas como fitoplâncton, zooplâncton, invertebrados necto-bentónicos, incluindo o polvo e peixes. Foi desenvolvido pela consultora independente Blue Grid, com a contribuição do MARE - Centro de Ciências Marinhas e Ambientais assegurada por José Lino Costa, Bernardo Quintella, Ana Brito, João Paulo Medeiros, Joana Cruz e Filipa Silva, da Unidade Regional de Investigação (URI) do MARE na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e Sónia Cotrim Marques e Sérgio Leandro, da URI do MARE no Instituto Politécnico de Leiria.

Os investigadores do MARE, através dos serviços de monitorização prestados, registaram um aumento na abundância e biomassa de polvos e de algumas espécies de peixes, em particular de elasmobrânquios (peixes cartilaginosos, como tubarões e raias) e linguados, na zona do parque eólico, quando comparado com as áreas adjacentes. Concluem assim que a zona de exclusão de pesca criada em torno do parque eólico promove um efeito de proteção, quando comparado com as áreas adjacentes, onde a pesca é realizada de forma regular.

 

Fotografia: Sónia Cotrim