A equipa do MARE / ARNET da FCUL participou na conferência nacional de Observação da Terra Terra em Foco 2026, que decorreu em Coimbra, com o objetivo de reforçar o contributo da investigação marinha para o desenvolvimento de soluções baseadas em dados de satélite. Organizada pela Agência Espacial Portuguesa, a conferência reuniu cerca de 280 participantes na sua edição mais concorrida de sempre, afirmando-se como um momento central para a comunidade portuguesa de Observação da Terra. Num contexto de crescente pressão sobre o território e os recursos naturais, estas tecnologias assumem um papel cada vez mais relevante na resposta a desafios como as alterações climáticas e a monitorização de fenómenos extremos.
Monitorizar o oceano a partir do espaço
O MARE/ARNET e a Infraestrutura CoastNet estiveram representados pelos investigadores Afonso Ferreira, Giulia Sent e Graça Sofia Nunes, que apresentaram trabalhos desenvolvidos pelo grupo de investigação PhyRS – Phytoplankton Monitoring and Remote Sensing, no âmbito da monitorização de ecossistemas aquáticos.
Para além da presença em stand, o grupo apresentou também um póster científico que destacou uma abordagem integrada que combina dados de satélite com medições in situ, desenvolvimento de algoritmos e processos de calibração e validação, permitindo melhorar a monitorização de parâmetros essenciais como a biomassa e diversidade do fitoplâncton, os sedimentos em suspensão e a matéria orgânica dissolvida.
Mas como destaca Afonso Ferreira, “a comunidade de Observação da Terra continua muito centrada em ambientes terrestres, muitas vezes não atribuindo ao meio marinho a atenção que merece, apesar de ainda existir um vasto caminho por percorrer neste domínio.”
Neste sentido, a presença do MARE/ARNET foi particularmente relevante para reforçar o papel da investigação marinha neste campo.
Da ciência à aplicação e colaboração
O trabalho desenvolvido pelo grupo PhyRS assenta numa forte articulação entre ciência e aplicação, incluindo a validação de produtos derivados de satélite e a implementação de técnicas biópticas em contextos operacionais. Esta abordagem é fundamental para garantir a qualidade e a aplicabilidade dos dados, contribuindo para uma melhor compreensão dos ecossistemas aquáticos e para o apoio à tomada de decisão em gestão ambiental.
A participação no Terra em Foco 2026 permitiu discutir a aplicação destas metodologias em contextos reais de gestão ambiental e identificar oportunidades de colaboração com entidades públicas e privadas no domínio da Observação da Terra.
Segundo Afonso Ferreira, “os visitantes destacaram o facto de o MARE, no âmbito da infraestrutura CoastNet, disponibilizar dados ambientais abertos e gratuitos, algo ainda pouco comum em Portugal”.
Este reconhecimento reforça a importância da integração entre dados de Observação da Terra e medições in situ para garantir informação robusta e aplicável à gestão ambiental.
Texto: Vera Sequeira, Afonso Ferreira, Graça Sofia Nunes, Giulia Sent
Imagens: Afonso Ferreira, Graça Sofia Nunes, Giulia Sent