Bactérias marinhas podem ser a solução para proteger as vinhas contra as alterações climáticas

Imagine uma onda de calor. Agora imagine uma vinha em Portugal sob esse calor. O fim era obvio, mas os investigadores do MARE estudaram as possibilidades de uma solução, e a solução existe. Segundo os investigadores, a aplicação consórcios de bactérias isolados a partir de sapais da Andaluzia (isolados por parceiros do estudo da Universidade de Sevilha) em videiras, ajuda as plantas a sobreviver perante o calor, sendo que em alguns casos as plantas não apresentaram qualquer sinal de stress quando expostas a ondas de calor.

 

O investigador do MARE João Carreiras (aluno de doutoramento) explica como foi “surpreendente”. “Esperava resultados, mas não tão significativos”. Este estudo, que ocorreu entre Julho e Agosto do ano passado, utilizou estas bactérias existentes em ecossistemas de sapal com características de promoção de crescimento de plantas como biofertilizantes.

 

Foram testados níveis de temperatura semelhantes aos observados durante uma onda de calor típica da região de Lisboa mimetizando condições próximas das reais. Neste momento estão a ser realizados os estudos com videiras em campos de cultivo inoculadas com as mesmas bactérias, nos campos de Associação de Viticultores do Concelho de Palmela (AVIPE), associação parceira no Projeto Europeu REVINE (Regenerative agricultural approaches to improve ecosystem services in Mediterranean vineyards) onde este estudo se insere juntamente com o plano doutoral do aluno João Carreiras orientado por Bernardo Duarte do MARE, Andreia Figueiredo do BioISI (FCUL) Jennifer Mesa Marin da Universidade de Sevilha.

 

“Já fizemos mais estudos com outras plantas, como por exemplo a Salicornia e o tomateiro, e que demonstram que estes consórcios de bactérias permitem melhorar a resistência de outras plantas a ondas de calor” conclui o investigador Bernardo Duarte.

 

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