

Nos dias 17 e 18 de abril, uma nova operação de translocação de lampreia-marinha no rio Douro voltou a juntar investigadores, pescadores e entidades públicas num esforço concertado para melhorar as condições de reprodução desta espécie migradora. No total, foram capturados e translocados 72 indivíduos, num trabalho que reforça a continuidade das ações nacionais de conservação.
Segundo Carlos Alexandre, investigador do MARE-Universidade de Évora e ARNET, “a iniciativa contou com a colaboração de pescadores locais, que, de forma voluntária e sem qualquer compensação financeira, capturaram as lampreias a jusante da barragem de Crestuma‑Lever”. Acrescentou ainda que a “EDP assegurou o controlo das descargas da barragem, permitindo criar condições adequadas para a operação”. As lampreias foram depois transferidas para zonas mais favoráveis à desova, como os rios Sousa e Paiva.
A operação foi acompanhada por entidades da administração central e autoridades locais, garantindo o cumprimento de todos os procedimentos. O objetivo central é facilitar o acesso da lampreia-marinha às áreas de reprodução.
Esta foi a segunda intervenção deste género no Douro, após uma primeira ação realizada em 2025. Segundo o investigador, “espera-se que o seu efeito cumulativo contribua para a conservação da espécie, numa bacia hidrográfica fortemente condicionada por barreiras artificiais que limitam a livre circulação da fauna piscícola”.
A ação demonstra o valor da colaboração entre ciência e comunidade, num esforço conjunto que tem impacto real na conservação da espécie.
Texto: Zara Teixeira e Carlos Alexandre
Imagens: Carlos Alexandre