O 3.º Relatório Global sobre a Avaliação do Estado do Oceano, incluindo os aspetos socioeconómicos, foi aprovado no final de dezembro, durante uma reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas. Este relatório constitui o mais recente exercício global de síntese científica sobre o estado do ambiente marinho, os principais fatores de pressão e os impactos sociais, económicos e ambientais associados às alterações em curso no oceano.
Conhecido internacionalmente como Third World Ocean Assessment (WOA III), o relatório resulta do Regular Process for Global Reporting and Assessment of the State of the Marine Environment, um mecanismo das Nações Unidas que assegura a ligação entre o conhecimento científico e os processos de decisão política a nível global.
A estrutura geral do relatório pode ser consultada no site oficial das Nações Unidas.
O Sumário Executivo do relatório, que constitui um documento parlamentar oficial da Assembleia Geral das Nações Unidas, também pode ser consultado.
Entre as investigadoras que integraram o Grupo de Peritos responsável por este relatório encontra-se Maria João Bebianno, Professora Catedrática Jubilada e investigadora do Centro de Investigação Marinha e Ambiental, unidade integrada no ARNET - Rede de Investigação Aquática. A participação de investigadores portugueses neste processo reforça o contributo nacional para a produção de conhecimento científico de referência a nível internacional.
O relatório analisa, de forma integrada, temas como as alterações físicas e químicas do oceano, a perda de biodiversidade, a poluição, as alterações climáticas, a governação do oceano e a relação entre os sistemas marinhos e o bem-estar humano. Pela primeira vez, esta avaliação global inclui, de forma estruturada, dimensões transversais como os aspetos socioeconómicos, a equidade, o conhecimento das comunidades locais e indígenas e as vias para uma utilização sustentável dos recursos marinhos.
O lançamento oficial do 3.º Relatório Global sobre a Avaliação do Estado do Oceano está previsto para abril, numa cerimónia internacional promovida pelas Nações Unidas. Este momento assinalará um novo passo no reforço da interface ciência-política e na disponibilização de informação científica robusta para apoiar decisões sobre a conservação e a gestão sustentável do oceano.
O MARE destaca este contributo como um exemplo do envolvimento ativo da investigação nacional em processos científicos globais com impacto direto nas políticas públicas e na governação do oceano.
Texto: Vera Sequeira